quarta-feira, 27 de maio de 2026

Câmara de Curitiba entra em crise após operação contra vereador suspeito de “rachadinha”

Pressão política aumenta sobre Lórens Nogueira (PP) enquanto vídeos, dinheiro apreendido e pedidos de cassação ampliam repercussão da Operação Déjà-Vu

 

Os corredores da Câmara Municipal de Curitiba passaram esta quarta-feira sob um silêncio desconfortável. Um dia depois da deflagração da Operação Déjà-Vu, do Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o caso envolvendo o vereador Lórens Nogueira (PP) deixou de ser apenas uma investigação criminal e começou a produzir efeitos políticos concretos dentro do Legislativo curitibano.

O parlamentar é investigado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeita de participação em um esquema de “rachadinha” — prática ilegal em que assessores devolvem parte dos salários ao agente político responsável pelas nomeações.

A operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao vereador, incluindo o gabinete dele na Câmara e endereços associados ao Instituto Grupo Solidário, entidade presidida por Nogueira no bairro Xaxim.

As equipes do Gaeco apreenderam celulares, computadores, documentos e duas malas contendo grandes quantias em dinheiro vivo. Parte do valor já contabilizado ultrapassa os R$ 118 mil, segundo informações divulgadas ao longo das últimas horas.

Vídeo elevou pressão pública

A crise ganhou dimensão ainda maior após a divulgação de imagens obtidas durante a investigação. O vídeo, que passou a circular fortemente nesta quarta-feira em portais locais e redes sociais, mostra o vereador conferindo maços de dinheiro entregues por uma assessora investigada.

Segundo o Ministério Público, as imagens fazem parte de uma ação controlada autorizada pela Justiça para acompanhar supostos repasses de salários dentro do gabinete parlamentar.

Nas últimas horas, o material passou a dominar o debate político local e gerou forte repercussão entre servidores, vereadores e lideranças partidárias da capital.

Pedido de cassação já está em andamento

A primeiro reação política concreta veio rapidamente. Vereadores da bancada do Novo protocolaram um pedido formal de cassação do mandato de Lórens Nogueira por quebra de decoro parlamentar. A representação foi encaminhada à Corregedoria da Câmara, que deve analisar os próximos passos nos próximos dias.

Enquanto isso, o vereador pediu afastamento da presidência do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar — justamente o órgão responsável por avaliar condutas parlamentares dentro da Casa.

Nos bastidores, parlamentares admitem reservadamente preocupação com o desgaste institucional provocado pelo caso. Apesar disso, a sessão legislativa desta quarta-feira ocorreu sem manifestações públicas contundentes da maioria dos vereadores sobre a operação.

Defesa evita confronto direto

A defesa de Lórens Nogueira afirmou que analisa o conteúdo da investigação e declarou que qualquer posicionamento será feito “pelas vias legais adequadas”. Os advogados também reforçaram a necessidade de respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.

Até o fechamento desta postagem, o vereador ainda não havia concedido entrevista coletiva nem comentado diretamente o conteúdo do vídeo divulgado nas últimas horas.

Quem é Lórens Nogueira

Filiado ao Partido Progressistas (PP), Lórens Nogueira está em seu primeiro mandato como vereador de Curitiba. Ele foi eleito em 2024 com 4.727 votos e ganhou projeção política principalmente em pautas sociais e comunitárias na região sul da capital.

A investigação do Gaeco agora avança para análise do material apreendido, rastreamento financeiro e possível aprofundamento sobre o funcionamento interno do gabinete parlamentar.

O nome da operação, “Déjà-Vu”, foi escolhido pelo Ministério Público em referência à repetição histórica de investigações envolvendo suspeitas semelhantes no poder público brasileiro.

Apoie o Sulpost via PIX: (41) 99281-4340 • WhatsApp

Nenhum comentário:

Postar um comentário