A história do esporte é feita de marcas, números e troféus. Mas, às vezes, ela avança mesmo é pelos gestos simbólicos — aqueles que atravessam gerações e devolvem sentido à palavra permanência
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| Vênus Williams - U.S. Open |
É exatamente isso que Venus Williams volta a fazer ao confirmar sua presença no Australian Open 2026, após receber um wild card da organização do torneio.
Aos 45 anos, a norte-americana se tornará a mulher mais velha a disputar a chave principal do Aberto da Austrália, que começa no dia 12 de janeiro. Será sua primeira participação no torneio desde 2021. A informação foi divulgada pelo portal HuffPost, com base no anúncio oficial dos organizadores.
Mais do que um retorno competitivo, trata-se de um gesto carregado de memória, coragem e significado. Em declaração publicada pelo próprio Australian Open, Venus destacou a relação afetiva construída ao longo da carreira:
“Estou animada por voltar à Austrália e ansiosa para competir durante o verão australiano. Tenho tantas lembranças incríveis dali e sou grata pela oportunidade de retornar a um lugar que significou tanto para a minha carreira.”
Legado além das quadras
Ao lado da irmã Serena, Venus Williams ajudou a redefinir o tênis mundial. Rompeu barreiras raciais, sociais e econômicas, enfrentou estruturas historicamente excludentes e abriu caminhos para que outras mulheres pudessem sonhar — e chegar.
Sua trajetória é marcada não apenas por títulos, mas por resistência, longevidade e afirmação. Um exemplo vivo de que excelência esportiva também pode ser construída com consciência, identidade e persistência.
Esse legado ganha ainda mais força quando observado a partir do Brasil. O tênis feminino brasileiro vive um momento de retomada, com novos projetos de base, maior visibilidade e interesse crescente entre jovens atletas. Ainda assim, o caminho segue marcado por desigualdades, falta de investimento e pouco apoio estrutural.
Um espelho possível para novas gerações
É nesse ponto que a história de Venus dialoga diretamente com a realidade brasileira. Sua permanência no alto nível mostra que o esporte não tem prazo de validade quando há propósito, cuidado com o corpo e oportunidades reais.
Para meninas que hoje treinam em quadras públicas, projetos sociais ou escolinhas espalhadas pelo país, a imagem de Venus Williams voltando a um Grand Slam aos 45 anos carrega uma mensagem poderosa: o tempo não apaga vocações, e a persistência também é uma forma de vitória.
Num país onde o esporte muitas vezes sobrevive pela insistência de quem acredita, histórias como essa ajudam a manter acesa a chama do sonho. O tênis brasileiro precisa de políticas públicas, investimento e visibilidade — mas também precisa de referências simbólicas que inspirem coragem.
Venus, mais uma vez, cumpre esse papel. Não apenas como atleta, mas como legado vivo de que o esporte pode ser espaço de transformação, dignidade e futuro.
- Com informações do HuffPost.
E-mail: sulpost@outlook.com.br

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