Nova tabela começa a valer em 2026, alivia o bolso de milhões de trabalhadores e transfere parte da conta para a alta renda e grandes dividendos
Por Ronald Stresser, para o Sulpost, com informações da Agência Brasil e Ministério da Fazenda — 01 de janeiro de 2026
O primeiro salário de 2026 chega com um detalhe que, para milhões de brasileiros, faz toda a diferença. Não é um bônus, nem um aumento negociado. É a ausência de um desconto que, por anos, corroeu o orçamento de quem vive do próprio trabalho. Desde esta quinta-feira, 1º de janeiro, entrou oficialmente em vigor a nova regra do Imposto de Renda que amplia a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Sancionada em novembro passado, pelo presidente Lula, a Lei nº 15.270/2025 trouxe uma reforma que começa a ser sentida a partir de agora, ela vem direto no contracheque. Professores, trabalhadores do comércio, servidores públicos, profissionais da saúde, técnicos, operários e milhões de brasileiros da chamada classe média passam a respirar um pouco melhor no fim do mês. Segundo o governo federal, cerca de 15 milhões de pessoas deixam de pagar Imposto de Renda.
A mudança foi detalhada em reportagem da Agência Brasil, publicada nesta quarta-feira (1º), e marca a maior atualização da tabela do IR em décadas — uma correção considerada urgente diante da defasagem histórica do sistema tributário.
Alívio imediato no bolso
Na prática, o efeito é simples e direto: quem ganha até R$ 5 mil deixa de ter o Imposto de Renda descontado mensalmente na folha de pagamento. O dinheiro que antes ia para o leão agora fica com o trabalhador.
O governo estima que a economia pode chegar a R$ 4 mil por ano, considerando o décimo terceiro salário. Para muitas famílias, esse valor significa mercado mais cheio, contas em dia ou menos dependência do crédito caro.
Até 2025, a isenção alcançava apenas quem ganhava até cerca de R$ 3.036, o equivalente a dois salários mínimos. Acima disso, mesmo rendas apertadas já eram tributadas como se houvesse sobra no orçamento.
Faixa de transição evita salto no imposto
A reforma cria uma faixa intermediária de alívio tributário para rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, com desconto gradual no imposto. O objetivo é evitar o chamado “degrau tributário”, quando pequenos reajustes salariais resultam em aumentos desproporcionais no imposto.
- Salário de R$ 5.500: queda de cerca de 75% no imposto mensal;
- Salário de R$ 6.500: economia aproximada de R$ 1.470 por ano;
- Salário de R$ 7.000: economia em torno de R$ 600 por ano.
Acima de R$ 7.350, nada muda. A tabela progressiva segue com alíquotas que chegam a 27,5%.
Desconto já muda em janeiro, mas declaração ainda não
Quem se enquadra na nova isenção ou no desconto parcial já sente a diferença no salário de janeiro, pago no fim do mês ou no início de fevereiro.
A Declaração do Imposto de Renda de 2026, no entanto, permanece igual, pois se refere ao ano-base 2025. As mudanças completas só aparecerão na declaração de 2027, relativa aos rendimentos de 2026.
Alta renda entra na conta
Para compensar a renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões, a reforma criou o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), que atinge rendas anuais acima de R$ 600 mil.
A alíquota mínima pode chegar a 10%, especialmente para rendas acima de R$ 1,2 milhão por ano. Segundo o governo, cerca de 141 mil brasileiros serão impactados.
Entram no cálculo salários, lucros, dividendos e rendimentos financeiros tributáveis. Ficam de fora aplicações incentivadas, como poupança, LCI, LCA, fundos imobiliários e Fiagro, além de heranças, doações e indenizações por doença grave. O imposto mínimo será apurado apenas na declaração de 2027.
Dividendos deixam de ser intocáveis
Dividendos superiores a R$ 50 mil por mês, pagos por uma mesma empresa a uma pessoa física, passam a ter retenção de 10% de Imposto de Renda.
A medida não afeta pequenos investidores e mira grandes empresários e acionistas, que até então recebiam altos valores praticamente isentos. O imposto retido poderá ser compensado na declaração anual.
Especialistas alertam para possíveis disputas judiciais envolvendo dividendos de lucros apurados até 2025, caso a distribuição não tenha sido aprovada até 31 de dezembro do ano passado.
Um passo concreto, ainda que incompleto
A reforma do Imposto de Renda não resolve sozinha a desigualdade histórica do sistema tributário brasileiro, baseado majoritariamente no consumo. Mas sinaliza uma mudança: aliviar quem vive do trabalho e cobrar mais de quem concentra renda.
Para milhões de brasileiros, o impacto já está no contracheque. Para o sistema como um todo, os efeitos completos ainda virão. Em um país onde o salário costuma acabar antes do mês, esse alívio imediato não é pouco. Ainda há quem critique, mas é como disse em outubro passado o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad: colocar pobre no orçamento e rico no IR incomoda o "andar de cima". Certo é que o Brasil segue em direção de um sistema tributário mais justo e com responsabilidade fiscal.
O que muda a partir de 1º de janeiro de 2026:
- Isenção total de IR para salários até R$ 5 mil;
- Desconto gradual até R$ 7.350;
- Nada muda acima desse valor;
- Imposto mínimo de até 10% para rendas acima de R$ 600 mil por ano;
- Dividendos acima de R$ 50 mil por mês passam a ser tributados.

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